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Cena Livre
 Paschoal XIII
Foto: Reprodução
Cena de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues,
sob a direção de Ziembinski, em 1943


“TODA UNANIMIDADE É BURRA”, sentenciava Nelson Rodrigues. Mal sabia que ele mesmo viria a desmentir sua célebre frase, sendo apontado por todos como o mais importante dramaturgo brasileiro. O escritor e jornalista pernambucano mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro e tão bem moldou-se à cidade, que é o cronista mor do espírito carioca.

A OBRA DE NELSON já viajou pelo mundo, mas ganha sua primeira tradução para o inglês britânico, com o lançamento de uma coletânea de sete peças. Esse encontro poético/imaginário com William Shakespeare será celebrado com o Nelson Rodrigues Festival London 2019, que acontece nos dias 13 e 14 de junho na Embaixada Brasileira em Londres (14-16 Cockspur St, St. James’s, London SW1Y 5BL).

IDEALIZADO por Sacha Ro­dri­gues, neto do escritor, e Ramiro Silveira, brasileiro radicado em Londres (onde coordena o curso de World Performance, na Universidade de Essex), o evento é apresentado pela Fundação Cesgranrio, em uma parceria da produtora carioca Turbilhão de Ideias Entretenimento com a própria Embaixada.

A PUBLICAÇÃO será lançada pela Oberon Books, maior editora de teatro e biografias do Reino Unido, com traduções feitas pelo King’s College of London. Foram escolhidas sete peças: Vestido de Noiva (The Wedding Dress), Perdoa-me por Me Traíres (Forgive me for Your Betraial), Toda Nudez Será Castigada (All Nudity Will Be Punished), Os Sete Gatinhos (The Seven Little Kittens), Valsa Número 6 (Waltz #6), Anjo Negro (Black Angel) e Álbum de Família (Family Portraits). O prefácio é do diretor teatral Luís Artur Nunes. A publicação do livro foi viabilizada pela Fundação Cesgranrio.

O NELSON RODRIGUES Festival London 2019 reúne, além do lançamento do livro, uma série de atrações para reafirmar a importância da obra do homenageado e, consequentemente, a riqueza da literatura brasileira. No dia 13 de junho, acontece o lançamento do livro e uma leitura dramatizada de Vestido de Noiva, dirigida por Ramiro Silveira, celebrando também os 75 anos da estreia original do revolucionário texto, acontecida em 28 de dezembro de 1943, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

NO DIA 14, acontecerão dois painéis acadêmicos, organizados pelo professor Ramiro Sil­vei­ra e pela professora Marta Fer­nández, com convidados da Universidade de Essex, do King’s College of London e do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio. “O objetivo é debater a importância de Nelson Rodrigues para o teatro mundial”, contextualiza Sacha. Após os painéis, será exibido o longa Vestido de Noiva, dirigido e roteirizado por Joffre Rodrigues, filho de Nelson.

DURANTE OS DOIS DIAS, a embaixada estará decorada com objetos pessoais de Nelson, como, por exemplo, um de seus ternos e sua inseparável máquina de escrever Remington, com a qual produziu a grande maioria de seus textos. Serão expostas ainda seis réplicas do célebre pintor Candido Portinari, que retratou a família Rodrigues. “São imagens do meu bisavô Mário, minha bisavó Maria Esther, meu tio-avô Augusto, e três retratos do meu tio-avô Roberto, um de corpo inteiro”, lista Sacha.

O EVENTO tem presenças con­firmadas de Sacha Rodri­gues, Luís Artur Nunes, Marta Fernández (PUC-RJ), Wil­liam Gregory (Kings College), Susan­nah Finzi, Almiro Andrade, Camila França (Foreign Affairs), Sophie Stevens (Kings College), Rosemary Klich (University of Essex), entre outros.

FESTA DE INAUGURAÇÃO. Em 2011, durante uma manutenção no salão verde do Congresso Nacional que consistia em quebrar paredes para se descobrir as causas de um vazamento, foram encontradas frases escritas pelos operários responsáveis pela construção do prédio, inaugurado em 1960. As mensagens, que previam um futuro melhor para o país e a crença nas instituições democráticas do Brasil, foram lidas pelos integrantes da companhia brasiliense Teatro do Concreto como uma das inúmeras narrativas criadas ao longo do tempo que só são reveladas a partir de um processo de destruição. Com dramaturgia de João Turchi e direção de Francis Wilker, o espetáculo Festa de Inauguração estreia em São Paulo para curtíssima temporada no Sesc Pompeia (Rua Clélia, 93 - Tel.: 3871-7720, Água Branca).

Foto: Diego Bresani/Divulgação
Teatro do Concreto apresenta Festa de Inauguração
no Sesc Pompeia



CONSTRUÍDA sem tomar como base a noção de personagens ou de começo, meio e fim, Festa de Inauguração tem uma dramaturgia tecida a partir das falas e narrativas que não são reveladas espontaneamente, mas sim através da destruição. “Notamos que no percurso da humanidade, nas artes e nas trajetórias pessoais, existem narrativas soterradas que precisam vir à tona e, normalmente, esse processo acontece por meio da destruição”, diz Francis Wilker, diretor da montagem.

PARA WILKER, o gesto de destruir ganha novas camadas e pode ser lido como uma metáfora para desmontes de políticas públicas, silenciamento de grupos minoritários, revisionismos históricos e reflexão sobre a história da arte. Esse ponto de partida foi endossado por uma série de seminários promovidos pela companhia que reuniu sociólogos, arquitetos, artistas visuais, rappers e dramaturgos para dialogarem sobre a possibilidade de se “ler” a cidade como um livro.

JOÃO TURCHI, artista goiano que reside em São Paulo, apesar de já ter trabalhado com Francis Wilker, escreve pela primeira para o Teatro de Concreto. Na construção dramatúrgica, Turchi decidiu dar luz à questão da história como algo que sempre foi manipulado pelo homem. “Esses textos encontrados em Brasília apontavam uma possibilidade de futuro pensada por esses trabalhadores - podemos associar essas imagens às inscrições rupestres de uma caverna, por exemplo. O que esses registros têm a nos dizer nos dias de hoje? Como contar isso a outro? Quais são as possíveis narrativas que existem aí?”, questiona.

A PARTIR DESSA PROVO­CA­ÇÃO e das características que já são comuns ao grupo, como uma relação direta com a plateia e criação de peças que não se resumem a um só espaço cênico, Festa de Inauguração começa nas imediações do Sesc Pompeia. Dessa forma, a peça cria as metáforas a partir de um olhar arqueológico, onde o fim representa a continuidade de um ciclo que irá gerar novas leituras sobre o que foi destruído.

FESTA DE INAUGURAÇÃO tem ainda cenário e figurino assinados por André Cortez, luz de Guilherme Bonfanti, do Teatro da Vertigem, e elenco composto por Gleide Firmino, Micheli Santini, Adilson Diaz e Diego Borges. Apresentações às quintas, sextas e sábados, às 21h30 e domingos e feriado (20/6), às 18h30, até 23 de junho. Os ingressos custam 20 reais (inteira), 10 reais (meia) e 6 reais (credencial plena). Espetáculo imperdível.

DEPOIS DE APRESEN­TA­ÇÕES por 18 cidades brasileiras, O Pequeno Príncipe Preto estreia temporada em São Paulo, no Sesc Belenzinho (Rua Padre Adelino, 1.000 - Tel.: 2076-9700, Belenzinho). Com texto e direção de Rodrigo França, especialista em filosofia para crianças e pesquisas relacionadas à cultura negra, a peça tem em cena o ator Junior Dantas, os músicos Reinaldo Junior, Lurian Moura e João Vinícius Barbosa, que também assina a direção musical e arranjos para as músicas originais que compôs. A iluminação é de Ana Luzia Mollinari de Simoni e João Gioia, o cenário é de Mina Quental.

O ESPETÁCULO CONTA a história de um príncipe que percorre vários planetas com a missão de plantar as sementes da empatia, amor, respeito, coletividade, generosidade e aprendizado familiar. Com diferentes linguagens, o infantojuvenil exalta a valorização da cultura negra e retrata o quanto é bonita a diversidade de cada povo.

O PROJETO surge de perguntas que ainda ecoam: Por que a maioria dos livros infantis só tem heróis e príncipes brancos e de olhos claros? Por que as bonecas e bonecos têm características físicas que não se assemelham com a maioria da população brasileira? Por que nas canções e contos infantis o branco é belo e puro e o preto não? As respostas para essas perguntas visam contribuir com o empoderamento, com a autoestima e com o imaginário formativo de crianças e adolescentes negros apresentando personagens de destaque que se assemelhem a eles e façam com que se sintam representados nas histórias que tem acesso.

A CULTURA AFRO-BRASI­LEIRA e africana sempre foi lembrada, exclusivamente, com a temática escravidão no Brasil, a encenação tem uma narrativa que ressignifica muitos fatos históricos. O espetáculo é quase todo embalado por percussão de tambores, somado com lundu (ritmos brasileiros), Kuduro (ritmo angolano) e jazz e soul (ritmos afro-americanos), com uma trilha musical feita especialmente para o espetáculo. A nossa brasilidade múltipla está em cena, através do respeito à diversidade de cores, características, sabores, texturas, sonoridades e sotaques.

O PEQUENO PRÍNCIPE PRETO tem apresentações aos sábados e domingos, às 12 horas, até 16 de junho. Os ingressos custam 20 reais (inteira), 10 reais (aposentados, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante) e 6 reais (credencial plena do Sesc - trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes. Gratuito para crianças até 12 anos, com retirada de ingresso. Não deixe de ver. 
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