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Cena Livre
 Paschoal XIII
Foto: André Mürrer/Divulgação
Cena de Fome.doc


A KIWI COMPANHIA DE TEATRO despede-se da temporada de seu espetáculo Fome.doc em 13 de julho na Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 - Tel.: 3222-2662, Bom Retiro). Com roteiro e direção geral de Fernando Kinas, o espetáculo tem atuação da atriz Fernanda Azevedo, prêmio Shell em 2013 por sua atuação em Morro como um país, produção anterior da Companhia, e do ator e cineasta Renan Rovida. A direção musical é de Eduardo Contrera e a execução ao vivo de Rafael Elfe.

DOIS DEBATES integraram a programação dessa nova temporada do espetáculo em São Paulo: Classe, Gênero e Etnia - a Fome na Atualidade com Si­mone Nascimento - integrante dos Movimentos RUA e MNU (5/7) e Capitalismo e Soberania Alimentar com Luiz Marques - professor do Depto de História da Unicamp e autor do livro Capitalismo e Colapso Ambiental (6/7). Fome.doc é um trabalho cênico inspirado nas técnicas e princípios do teatro documentário que discute, sob diferentes ângulos, os processos de desumanização e a fome no mundo.

A QUESTÃO ESPECÍFICA da fome, diferente do que se possa imaginar, é um tema presente na realidade de qualquer cidade brasileira, seja pela existência de bolsões de miséria, crescentes em função da crise social que vivemos nos últimos anos, seja pela discussão da alimentação saudável (uso de agrotóxicos versus agricultura orgânica).

A COMPANHIA mantém vínculos com coletivos teatrais, organizações, associações e movimentos sociais, desenvolvendo com estes parceiros apresentações e outras ações (cursos, debates e oficinas). Também estabele contatos com universidades, escolas e cursos de teatro para garantir a participação de estudantes nas atividades, contribuindo para a ampliação e a perenização das discussões temáticas e formais propostas.

O PROJETO ORIGINAL de Fome.Doc foi premiado na 29ª Edição do Programa de Fomento ao Teatro e cumpriu duas temporadas em 2017: CCSP (julho e agosto) e Galpão do Folias (outubro), realizando 40 apresentações. Atualmente, Fome.doc circula pelo interior do Estado de São Paulo apoiado pelo ProAc (2018/2019).

ENCENAÇÃO E PROJETO. Alguns acontecimentos são capazes de redefinir a experiência humana. A densidade e a violência a eles relacionados marcam de forma definitiva a história. Quatro destes acontecimentos compõem a coluna vertebral da montagem: o extermínio de indígenas no continente americano, os três séculos e meio de escravidão no Brasil, o holocausto judeu na Europa e as novas formas de colonialismo no Oriente Médio, América Latina e África.

ASSOCIADOS A ELES, o trabalho discute diversos aspectos relacionados à terra e a produção de alimentos (soberania alimentar, agroecologia, concentração fundiária, agronegócio), além de alargar a discussão para o campo poético através de referências à obra de Shakespeare, Beethoven, João Cabral de Melo Neto, Mahmud Darwich, Gra­ciliano Ramos e Carolina Maria de Jesus, entre outros. Um rico material iconográfico e audiovisual foi pesquisado e incorporado através de releituras, recriações e recontextualizações.

A PESQUISA empreendida pela Kiwi Companhia de Teatro em Fome.doc compreende a leitura de autores e autoras das mais diversas nacionalidades e vertentes. Um dos escritores sobre o qual o grupo se debruçou foi o frade dominicano Bartolomé de las Casas, que registrou em 1542 (a primeira publicação data de 1552) uma das mais contundentes denúncias sobre as violências cometidas pelos conquistadores europeus contra os indígenas do chamado novo mundo. Brevíssima relação da destruição das Índias é, ainda hoje, um documento incontornável para compreender o processo de invasão e colonização das américas.

OUTRO AUTOR importante nesse processo de investigação foi o escritor italiano Primo Levi (1919-1989), sobrevivente de Auschwitz, que publicou em 1947 um dos mais importantes relatos sobre a vida nos campos de concentração e o extermínio de judeus, o livro É isto um homem?. A obra é também uma reflexão poética e filosófica sobre a desumanização e a sobrevivência em situações extremas. Poucos anos depois, em 1950, o martiniquês Aimé Césaire (1913-2008) publicou Discurso sobre o colonialismo. No texto, o escritor denuncia a violência europeia que se escondia sob o manto da “civilização ocidental”.

DO MESMO MODO, fizeram parte do material de trabalho textos da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus (1914-1977), conhecida internacionalmente pela obra Quarto de despejo - Diário de uma favelada (publicada em 1960), e do poeta Mahmud Darwich, morto em 2008, considerado o poeta nacional da Palestina.

TAMBÉM SERVIU como material dramatúrgico para a montagem as Novas Cartas Políticas de Erasmo, missivas endereçadas ao imperador Pedro II e publicadas anonimamente na imprensa carioca na década de 1860. O autor era José de Alencar, conhecido romancista que defendia posições a favor da manutenção da escravidão no Brasil.

COM INGRESSOS GRÁTIS, Fome.doc tem apresentações sexta-feira, às 20 horas e sábado, às 18 horas. Espetáculo imperdível.

Foto: Divulgação
Elenco de Merlin e Arthur, Um Sonho de Liberdade


EM 2019, A AVENTURA, produtora especializada no mercado teatral de musicais, completa dez anos e brinda o público com mais uma montagem inovadora: ao som de Raul Seixas, Merlin e Arthur, Um Sonho de Liberdade. Apresentado pela Bradesco Segu­ros e patrocinado pela Ria­chuelo, com apoio do BMA Advogados, Dr. Oetker e Timken, o espetá­culo estreia para temporada no Teatro Frei Caneca/Shop­ping Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 569 - Tel.: 3472-2229). A concepção e direção são assinadas por Guilherme Leme Garcia.

DEPOIS DO SUCESSO de Romeu & Julieta, Guilherme traz uma proposta diferente: criar uma dimensão única para Merlin - um personagem que paira além dos atores, habita numa outra dimensão. Desafio que só seria possível se os elementos de linguagem cênica, iluminação, cenografia, videoprojeção, fossem pensados de forma complementar e coesa. Leme percebeu esta necessidade e instigou essa criação coletiva.

JUNTOU TRÊS PROFISSIO­NAIS com bagagens multidisciplinares. Convidou Camila Schmidt, arquiteta, artista plástica e cenógrafa; Anna Turra, designer multimídia, que costuma atuar cruzando iluminação, cenografia e vídeo no palco; e Roger Velloso, diretor de filmes e de projetos multimídia imersivos e videoartista, com uma longa carreira. “Nós três acabamos achando um espaço de interseção de experiências precioso, tornando o processo bem maior e mais rico do que se atuássemos separadamente em áreas estanques”, explica Roger.

O TEXTO DO ESPETÁCULO é de Márcia Zanelatto. Tem na ficha técnica nomes como Fabio Cardia e Jules Vandystadt na direção musical e de arranjos; Toni Rodrigues na direção de movimento e coreografia; e o premiadíssimo João Pimenta no figurino. O visagismo leva a assinatura de Fernando Torquatto. O cantor Paulinho Moska faz a sua estreia como ator de teatro musical, dando vida ao Rei Arthur. Protagonizando a trama ainda, tem nomes como os das atrizes Larissa Bracher (Guinevere) e Vera Holtz (que dá vida a Merlin de forma virtual, numa nova tecnologia, com telas especiais), além de Gustavo Machado no papel de Lancelot.

MARCIA, QUE JÁ TRABA­LHOU junto com Guilherme em três peças teatrais, conta qual foi a maior provocação que sentiu nesse novo trabalho: “Eu acho muito impressionante o tamanho do trabalho da equipe da Aventura. É muito impactante pra mim, que comecei a escrever pela poesia e a maioria das minhas peças são peças de câmara, intimistas. Por isso, imaginar uma plateia de mil pessoas, uma produção com mais de uma centena de profissionais, me dava vertigem. Eu achava que não conseguiria. Esse caminho que faz algo tão íntimo se tornar grandioso é o Gui quem está me ensinando. Eu não saberia fazer isso sem ele”.

COM VINTE E CINCO MÚ­SICAS do repertório de Raul Seixas, cuja morte completa trinta anos em 2019, a montagem traz inúmeros efeitos especiais. A história se passa na cidade de Camelot e é contada em duas fases, com o elenco se dividindo na interpretação dos papéis mais jovens e nos dias mais recentes. O amor e a busca pela liberdade são os temas centrais desse musical, contado na história de Arthur, Guinevere e Lancelot, e é permeado pelas batalhas, conquistas, intrigas e paixões, além da famosa formação da Távola Redonda.

QUEM DÁ VIDA A MERLIN, que aparece através de imagens, é a atriz Vera Holtz, atualmente uma celebridade do mundo virtual (os posts dela no Instagram recebem milhares de curtidas). Ela está em cena sempre de forma virtual.

COMO CONTRACENAR com esse personagem que está em outra dimensão, que participa do espetáculo e se estabelece numa relação com a história do rei Arthur? Esse é o grande desafio em dar vida a Merlin. Na rea­lidade, é a condução da entrada desse personagem em cena”. Vera é considerada hoje uma das maiores artistas brasileiras. Já faturou inúmeros prêmios teatrais, como Shell, Mambembe, Sharp, Contigo, Qualidade Brasil, Extra, Quem e Melhores do Ano.

O UNIVERSO MEDIEVAL da luta e da magia está em cena, e é incrivelmente contemporâneo. “Apesar de ser uma lenda muito antiga e conhecida no mundo inteiro, eu e Marcia fizemos questão de colocar um paralelo entre a história da fundação da Távola Redonda e os tempos que vivemos hoje, no Brasil e no mundo. Então, é uma peça muito atual. Fala muito, política e socialmente, do momento em que estamos vivendo”, afirma Guilherme Leme. “A nossa maior riqueza é a nossa diversidade”, diz o personagem Rei Arthur em determinado trecho do espetáculo. Em outro momento: “Você pode descobrir tarde demais que não há limites para a barbárie”.

MERLIN E ARTHUR, UM SONHO DE LIBERDADE tem apresentações às sextas-feiras, às 20 horas; sábados, às 16 e 20 horas e domingos, às 19 horas, até 28 de agosto. Os ingressos custam de 50 reais a 150 reais. Espetáculo imperdível.
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